“LAMOSA, HISTÓRIA DE UMA ALDEIA SERRANA” É UMA MONOGRAFIA QUE ORGULHA O CONCELHO DE SERNANCELHE

“LAMOSA, HISTÓRIA DE UMA ALDEIA SERRANA” É UMA MONOGRAFIA QUE ORGULHA O CONCELHO DE SERNANCELHE

Sernancelhe é um concelho que tem entre as suas figuras mais ilustres o escritor Aquilino Ribeiro. Deste município é natural também o inigualável historiador Abade Vasco Moreira, que dá nome à Biblioteca Municipal. O elo que liga estas duas personalidades, para além do invulgar recorte literário, é a ligação à terra, a vontade em perpetuarem a identidade e as origens do povo. Porém, são ainda hoje, fonte de inspiração para outros autores, como sucede com João Carlos Pina da Costa e Carlos de Oliveira Silva, que apresentaram, na tarde de 8 de dezembro, na Casa da Compradeira, em Lamosa, o livro “Lamosa, História de uma Aldeia Serrana”.

Com prefácio de Paulo Neto, Diretor da Revista “aquilino”, os autores, que muito novos saíram de Lamosa, quiseram revisitar o passado e regressar às suas origens pela escrita e o resultado é um livro “instrutivo e informativo, uma monografia que orgulha a terra”, como referiu Paulo Neto.

De acordo com o prefaciador, “este trabalho é rigoroso e de profunda seriedade intelectual, pois compreende um estudo científico, demográfico, socioeconómico”, não esquecendo as tradições, usos e costume, bem como os equipamentos e serviços de Lamosa. O livro dedica ainda um capítulo à Lamosa aquiliniana, dada a ligação que aquele escritor manteve com a aldeia do planalto da Lapa.

Aquilo e as Terras do Demo são aliás transversais ao livro. No entender do Francisco Santos, Presidente da Junta de Lamosa, “esta obra é um marco nas Terras do Demo e na história da aldeia”, estabelecendo a ligação de Aquilino a esta localidade e às suas gentes, lembrando que é inquestionável a rota que estabelece a ligação entre Tabosa, Lamosa e Soutosa.

Manifestando o seu contentamento pela criação do livro “Lamosa, História de uma Aldeia Serrana”, Francisco Santos, desejou que este seja o primeiro de muitos outros livros sobre a freguesia e felicitou os autores pela escolha do dia de Nossa Senhora da Conceição para a apresentação, pois é o dia da padroeira de Lamosa.

Por seu turno, José Carlos Pina da Costa, um dos autores do livro, explicou que a “pretensão da obra é ajudar a perceber o que somos e de onde viemos”. Reconhecendo a dificuldade da tarefa pela escassez de fonte sobre Lamosa, revelou que, ainda assim, descobriram que tudo aponta para que a aldeia tenha sido fundada em 1146. E que a agricultura foi sempre a atividade dominante, numa terra marcada por um extraordinário sentido comunitário, sendo desejo deste livro ajudar a visitar o passado, aproximar o passado do presente e proporcionar uma viagem pela memória coletiva de Lamosa.

Coube a Carlos de Oliveira Silva fazer os agradecimentos, começando pelo povo de Lamosa que colaborou na elaboração do livro, passando depois pelo Município, Escola Profissional, prefaciador, junta de freguesia e todas as entidades que se associaram ao projeto.

Explicando que a ideia de fazer o livro teve origem no seminário de Cárquere, para onde foi com apenas 10 anos de idade, resumiu a obra a dois momentos chave: o primeiro antes da emigração das décadas de 1950/60 e o segundo após esse fenómeno e com a chegada do 25 de abril de 1974. Ou seja, no entender do autor, a história de Lamosa encontra nestas datas os elementos chave para que se perceba a sua evolução e transformação.

Carlos Silva Santiago, Presidente da Câmara Municipal de Sernancelhe, lembrou que a cultura e a educação são dois pilares essenciais do Concelho. “É notável que em pouco tempo é já a terceira vez que venho a Lamosa para assistir à apresentação de obras literárias e em nenhuma destas vezes os livros repetem as temáticas; são sempre diferentes, mas sempre sobre Lamosa”, referiu.

Reconheceu que este livro “é um exercício literário complexo, pois compreende muita pesquisa, dados estatísticos, história, obras de outros autores e consegue transformar-se num roteiro para convidar as pessoas a conhecerem Lamosa.” Terminou a sua intervenção felicitando ao autores por terem conseguido manter, durante tantas décadas, uma relação próxima com Lamosa e por terem querido transmitir este gosto pelas origens aos filhos e netos.

No final, tempo para um momento musical com um grupo de lamosenses que entoaram modas tradicionais e outras originais, alusivas ao momento de apresentação da obra.