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José Portinha apresentou livro de poesia no Pátio de Aquilino Ribeiro, no Carregal

José Portinha, o poeta popular natural de Aldeia de Santo Estêvão, Freguesia de Carregal, apresentou, ao fim da tarde de 31 de julho, o seu livro de poesia “Que Sigla a minha!” no Pátio de Aquilino Ribeiro. Numa cerimónia carregada de emoção, centenas de pessoas passaram o Pórtico dos Sanhudos para ouvir palavras de enaltecimento pela obra, assistir à interpretação musical do filho do autor, Rúben Portinha, e à etnografia do Rancho Folclórico de Sernancelhe.

Com o Pátio de Aquilino Ribeiro decorado com tarjas alusivas à obra de José Portinha a pender das janelas, a assistência disposta em anfiteatro, e a casa onde nasceu o mestre da literatura portuguesa de fundo, Vitor Rebelo, Presidente da Junta de Freguesia de Carregal foi anfitrião nesta jornada cultural, começando a sua intervenção por saudar o conterrâneo José Campos Portinha, reconhecendo a honra em receber a apresentação do seu livro “Que sigla a minha!”.

“Enquanto Presidente da Junta de Freguesia de Carregal não posso deixar de exprimir a minha alegria por receber, neste espaço de cultura, neste Pátio de Aquilino Ribeiro, um momento de literatura, de cultura, protagonizado por um filho da nossa terra, o senhor José Portinha”, disse Vitor Rebelo, dirigindo ainda uma palavra para “tantos carregalenses, com tantos amigos e conhecidos do Sr. José Portinha e com tantos conterrâneos nossos emigrantes, um sinal de que a poesia popular é uma arte que une as pessoas e que as aproxima cada vez mais em ambiente de festa e de celebração”.

Fernando Paulo Baptista, pedagogo, ilustre estudioso de Aquilino Ribeiro, agraciado com a Medalha de Mérito do Município em 2008, apresentou a dimensão poética da obra “Que sigla a minha”, de José Portinha. Comparando o autor a Aquilino, na maneira de retratar a sua terra e as suas gentes, no pulsar beirão, na riqueza dos sentimentos que expressa nos livros, Fernando Paulo enalteceu a iniciativa da Junta de Freguesia e do Município, num ato que classificou como uma marca bem sernancelhense, onde os autores e as suas criações são sempre apoiados.

Os momentos musicais, que intercalaram as intervenções, ficaram a cargo de Rubén Portinha, filho do autor, um jovem da área da Comunicação, e que ainda recentemente viu um trabalho sobre inclusão de pessoas com deficiência no meio artístico distinguido pela Rádio Universidade de Coimbra, Antena 1 e Antena 3.

José Portinha não escondeu a emoção quando chegou a vez de se dirigir ao povo da sua terra. Impressionado com os elogios que recebeu pela sua obra, disse que “deste Pátio de Aquilino consegue ver a sua universidade, a universidade do trabalho duro, dos campos, de guardar gado”, atos que marcaram a sua infância em Aldeia de Santo Estêvão e Carregal.

Explicou depois o título do livro “Que sigla a minha!”, revelando ser uma homenagem a Sernancelhe e Sintra, terras da sua vida, comparáveis até no “CMS”, pelo que esta publicação pretende enaltece-las e agradecer tudo que lhe deram.

Por fim, foi a ver do Presidente da Câmara Municipal de Sernancelhe, Carlos Silva Santiago, também natural da aldeia de Carregal, demonstrar a sua satisfação pela bonita cerimónia dedicada ao Sr. José Portinha, precisamente num espaço que é referencial no País, o Pátio onde nasceu Aquilino Ribeiro.

Quanto à obra de José Portinha, o Presidente reconheceu que o que fica escrito ajuda a construir a nossa história. “Enquanto José Portinha escrever nos seus livros sobre Aldeia de Santo Estêvão ou o Carregal, jamais estas terras desaparecerão”, garantiu Carlos Silva Santiago, que terminou a sua intervenção recorrendo ao seu prefácio no livro de José Portinha: “Descrever José Portinha é uma tarefa exigente. São tantas e tão distintas as suas qualidades que não enumerar todas seria uma falha imperdoável. Por isso, talvez seja Aquilino Ribeiro quem melhor nos pode auxiliar neste momento, pelo que recorro a um excerto da sua Geografia Sentimental, onde fala do caráter do castanheiro como se estivesse a referir-se ao homem: “O castanheiro é sem favor a árvore primaz, humanizada ao que é de grande, boa, prestável, generosa e magnífica em tudo”. É assim que eu vejo José Campos Portinha, um homem de enorme caráter, um lutador, um ser humano generoso e sempre disposto a ajudar os outros”.

A cerimónia contou ainda com a atuação breve do Rancho Folclórico de Sernancelhe e um mini concerto protagonizado por Ruben Portinha e Inês.