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Personagens Célebres
Também os Sernancelhenses modelaram a História.
Sernancelhe foi berço de gente ilustre das artes, da ciência e da cultura. Destas terras do interior do País, de onde se avista a Estrela e o Marão, denominadas de "Terras do Demo", pelo Mestre escritor Aquilino Ribeiro, partiram jovens que carregaram às costas as suas origens pelos quatro cantos do mundo. Homens que, pela sua personalidade, conseguiram, cada um à sua maneira, influenciar a história. António Ribeiro Saraiva, Aquilino Ribeiro, Bernardo Xavier Coutinho, João Fraga de Azevedo, Padre João Rodrigues e Abade Vasco Moreira foram algumas das figuras nascidas em Sernancelhe e que fazem parte do lote das personalidades célebres da nossa terra, que imprimiram páginas notáveis na história de Portugal.
António Ribeiro Saraiva
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No século XIX, nascia em Sernancelhe António Ribeiro Saraiva, o diplomata, jornalista, político e escritor que acompanhou o Rei D. Miguel no exílio e com ele regressou em 1828, tendo desempenhando importantes cargos diplomáticos, de entre os quais se destaca o de Secretário da Embaixada de Portugal em Londres, precisamente durante o reinado de D. Miguel.
Fidalgo da Casa Real, bacharel formado em Direito e em Cânones pela Universidade de Coimbra, nasceu em Sernancelhe a 10 de junho de 1800, e faleceu em Paddock House, St. Peters, no condado de Kent, Inglaterra, a 15 de dezembro de 1890, contando 90 anos de idade.
Era filho do desembargador da Casa da Suplicação, e conselheiro José Ribeiro Saraiva e de D. Francisca Xavier Constantina de Morais e Macedo. A Câmara Municipal de Sernancelhe homenageou-o no dia 1 de novembro de 1990, durante uma sessão solene nos Paços do Concelho, em que Teresa Mónica, da Biblioteca Nacional - a quem está confiado o espólio de Ribeiro Saraiva - proferiu uma palestra verdadeiramente inédita e que revelou a vida e obra deste sernancelhense. O Município emitiu ainda uma medalha comemorativa, atribuiu o nome de Ribeiro Saraiva a uma rua e publicou uma brochura com a palestra de Teresa Mónica.
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Aquilino Ribeiro
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Conhecido como “O Mestre”, Aquilino Ribeiro é um dos maiores escritores portugueses do século XX. Nasceu na freguesia de Carregal, Sernancelhe, em 1885, e foi batizado na igreja de Alhais, concelho de Vila Nova de Paiva. Estudou no Colégio da Senhora da Lapa, fez Filosofia em Viseu e frequentou Teologia no Seminário de Beja, curso de que desistiu no segundo ano.
Inconformado por natureza, mudou-se para Lisboa, em 1907, onde intentou começar carreira no jornalismo. As controversas atividades políticas levariam Aquilino Ribeiro à cadeia, de onde se evadiu. Exilado em Paris, frequentou os cursos de Filosofia e Sociologia da Sorbonne, onde recebeu ensinamentos dos melhores mestres da época. No campo literário estreou-se, em 1913, com a coletânea de contos “Jardim das Tormentas”. Da sua vasta obra, destacam-se obras como “A Via Sinuosa”, “Terras do Demo”, “Volfrâmio”, “Aldeia”, “Cinco Reis de Gente” e “Malhadinhas”.
Aquilino Ribeiro faleceu em 1963, mas deixou ao país um retrato impecável de uma época e de uma região. Impressões que as Terras do Demo jamais esquecerão, sendo as suas obras autênticos roteiros turísticos que nos permitem hoje conhecer, de forma exaustiva, a alma das gentes da Beira.
Em 2007, a Assembleia da República aprovou, por unanimidade, a trasladação de Aquilino Ribeiro para o Panteão Nacional e a cerimónia foi concretizada com Honras de Estado.
Já no ano 2019, os municípios de Sernancelhe, Moimenta da Beira e Vila Nova de Paiva, os legítimos herdeiros da designação “Terras do Demo”, juntaram-se para assinalar, pelo País, o Centenário da edição desta obra icónica de Aquilino Ribeiro. Reeditaram a obra, que se encontrava esgotada, e que contou com prefácio de Ana Isabel Queiróz, estabeleceram parcerias com a Biblioteca Nacional, o Museu Bordalo Pinheiro, a Junta de Freguesia e o Mercado de Alvalade, a Universidade de Aveiro, a Companhia de Teatro Filandorra e os CTT e promoveram dezenas de iniciativas inéditas, que culminaram com o Colóquio “Aquilino, letras e terra”, que trouxe a Sernancelhe os ex-Ministros da Educação Nuno Crato e David Justino e o ex-Ministro da Cultura, João Soares.
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Bernardo Xavier da Costa Coutinho
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Investigador, crítico de arte, tradutor, Bernardo Xavier da Costa Coutinho nasceu na freguesia de Ferreirim em 1909.
Ordenado sacerdote, foi nomeado cónego da Sé Catedral do Porto. Licenciou-se em Ciências Históricas e em Letras Românicas e doutorou-se pela Universidade de Lovaina com a tese “As Lusíadas e os Lusíadas”.
Professor no Seminário Maior do Porto e na Universidade Católica, em Lisboa, foi também professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Provido no cargo de Conservador do Museu de Soares dos Reis, viu reconhecido o seu trabalho quando foi eleito sócio da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Portuguesa de História.
Da sua obra destacam-se publicações como “Acção do Papado na Fundação e Independência de Portugal”, “Camões e as Artes Plásticas” e “A Medalhística Camoniana do Século XVIII aos nossos dias”. Bernardo Xavier Coutinho faleceu em 1987, deixando cerca de meia centena de obras de mérito.
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João Fraga de Azevedo
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Natural de Sarzeda, Fraga de Azevedo licenciou-se em medicina pela Universidade de Coimbra.
Selecionado para médico da Armada Portuguesa fez, entretanto, o curso na Escola de Medicina Tropical. Considerado um dos maiores cientistas da medicina tropical portugueses, representou o país em conferências e congressos internacionais. Publicou perto de quatro centenas de trabalhos científicos, individuais ou em colaboração, divulgadas por todo o mundo da ciência.
Mesmo à distância, Fraga de Azevedo não se esqueceu de Sernancelhe e terá usado os seus bons ofícios para a criação do Colégio do Infante Santo, em 1966/67.
Foi distinguido com altas condecorações em Portugal, África, Brasil, Alemanha, Espanha e Itália. Fraga de Azevedo faleceu em Lisboa em 1977 com 68 anos.
Fraga de Azevedo tem uma sala com o seu nome no Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa.
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Padre João Rodrigues
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Nasceu em Sernancelhe em 1560 ou 1561. Com apenas 14 anos saiu de Portugal em direção à Índia. Em 1580 chegou ao Japão por intermédio da Companhia de Jesus. Ao serviço da Companhia dedicou-se ao ensino da gramática e do latim. Alguns anos mais tarde concluía os estudos em Teologia em Nagasaki. Foi a Macau para ser ordenado sacerdote e, tendo regressado ao Japão, tornou-se intérprete, servindo como agente intermediário nas compras feitas às naus estrangeiras.
Conhecido como comerciante, diplomata e político, Padre João Rodrigues acabaria expulso do Japão no ano de 1610, por razões ainda não esclarecidas. Regressado a Macau, iniciou uma série de investigações com vista ao conhecimento das origens das comunidades cristãs ali estabelecidas desde o século XIII.
Considerado um clássico para o conhecimento do Japão, Pe. João Rodrigues foi o autor da primeira gramática da língua japonesa e escreveu a “História da Igreja no Japão”, obra em que incluiria também as observações do jesuíta sobre a história e a cultura do Japão da sua época e das décadas anteriores. Partes deste manuscrito foram copiadas (provavelmente transcritas a partir de um ditado oral) em Macau nos meados do século XVII e acabaram por chegar a Lisboa. O original e outra cópia foram enviados para Manila e depois para Madrid. O original continua na capital espanhola mas o segundo passou para as mãos de privados.
Apontado como um vulto da cultura universal, faleceu em Macau em 1633, sendo ainda hoje motivo de estudo e um símbolo do Japão.
Padre João Rodrigues é o patrono do Agrupamento de Escolas de Sernancelhe, tem um monumento na Vila dedicado à sua obra global de aproximação do ocidente ao oriente e o Município tem apoiado a edição de várias obras dedicadas à sua vida e obra, como sucedeu com o opúsculo “Tçuzzu”, da autoria de Monsenhor Cândido Azevedo e o livro “Um Jesuíta no Japão e na China”, de Michael Cooper, editado pela Quetzal.
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Vasco de Almeida Moreira
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Abade Vasco Moreira ficou conhecido como o autor da primeira monografia sobre o Concelho. Editada em 1929 com o título “Terras da Beira – Sernancelhe e seu Alfoz”, é o livro que ainda hoje nos dá toda a informação histórica, geográfica, etnográfica e linguística sobre o concelho.
Sensivelmente na mesma época, deu à estampa outra obra maior da sua carreira como orador, arqueólogo, historiador, literato e escritor: a “Monografia do Concelho de Tarouca”.
A Abade deve-se também a organização do Museu de Lamego, do qual seria o primeiro diretor.
O trabalho de Vasco Moreira revela-se notável porque, mesmo sem recursos bibliográficos, conseguiu legar obras muito completas e importantes para a afirmação das respetivas comunidades. Faleceu em São João de Tarouca em 1932.
Em sinal de homenagem, o Município de Sernancelhe, a sua terra natal, deu o nome de Abade Vasco Moreira à sua Biblioteca Municipal, tendo posteriormente sido dadas à estampa outras obras da sua autoria, nomeadamente em poesia, de que é grande exemplo o título “Luz e Sombras”, editado pela Aletheia Editores, em 2008, num trabalho de pesquisa e composição do também sernancelhense Monsenhor Arnaldo Pinto Cardoso.
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José de Oliveira Serrão
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Médico ilustre e beirão de sangue, nasceu na vila de Sernancelhe a 19 de dezembro de 1864. Partiu para Lisboa com apenas 13 anos, onde completou o exame de instrução primária. Seria, contudo, no Porto que terminaria o curso de medicina, em 1981.
Coronel aos 36 anos, Oliveira Serrão foi Chefe dos Serviços de Saúde de Moçambique. Foi Presidente da Câmara Municipal de Lourenço Marques (antiga capital de Moçambique), tendo sido autor de um Código de Posturas considerado muito prático e valioso.
Regressou ao continente para chefiar uma repartição do Ministério do Ultramar. Fez ainda parte da Companhia Agrícola do Lugela e foi secretário geral da Companhia dos Tabacos.
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Armando de Lucena
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Pintor e artista, Armando de Lucena nasceu em Sernancelhe em 1866. Cursou pintura na Escola de Belas Artes de Lisboa e a sua pintura está dispersa por diversos museus nacionais. Foi autor de várias obras de referência, como “Estilos Artísticos (1939)”, “Pintores Portuguese do Romantismo (1942)”, “Arte Sacra em Portugal (1946)”, bem como de “Arte Popular”, obra onde, segundo Moreira Lopes, “foca um vasto número de estudos e problemas regionais. Fala de Sernancelhe com saudade e conta muito do que lá observou”.
Foi professor ilustre da Escola de Belas Artes de Lisboa e a sua qualidade artística valeu-lhe descrições como a de Silva Tavares: “Quando ele (Armando de Lucena) escreve, é Pintor, e quando pinta, é Poeta”. Armando de Lucena foi ainda Presidente da Sociedade Nacional de Belas-Artes.
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