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Igreja do Mosteiro
A Igreja do Mosteiro da Ribeira encontra-se inserida na pequena localidade de Mosteiro, pertencente à união de freguesias de Sernancelhe e Sarzeda, no concelho de Sernancelhe. Situada a meia encosta, junto à via pública, a igreja é o remanescente mais significativo de um antigo complexo conventual. A sua posição oferece um ambiente tranquilo, ladeado por terrenos de cultivo e as antigas construções do mosteiro, com o rio Távora a correr nas proximidades, conferindo ao local uma atmosfera serena e ligada à paisagem natural da região.
Este templo tem as suas raízes no século XV, quando foi inicialmente fundado em 1460 como um mosteiro masculino da Ordem Terceira Franciscana, por iniciativa de Frei Pedro de Ameixoeira. Contudo, em 1520, a sua vocação mudou, transformando-se num mosteiro feminino da Ordem de Santa Clara, sob a orientação da primeira abadessa, D. Maria Pereira de Sernancelhe. Esta transição marcou profundamente a vida e a arquitetura do edifício, que se adaptou às necessidades das monjas clarissas. Ao longo dos séculos XVI, XVII e XVIII, o edifício sofreu diversas remodelações e renovações, moldando a sua atual fisionomia. Em 1834, com a extinção das ordens religiosas, o mosteiro encerrou as suas portas, mas a igreja continuou a desempenhar a sua função, mantendo-se como um valioso testemunho da história monástica da região.
A Igreja do Mosteiro da Ribeira apresenta uma planta longitudinal simples, composta por uma nave única que antecede uma capela-mor. No exterior, destaca-se a sobriedade dos seus alçados, em granito, que reflete a contenção típica das construções conventuais da época. É digna de nota a sua entrada lateral, característica comum em conventos femininos e que evoca a clausura e o quotidiano das monjas que ali viveram. No interior, a atenção recai sobre os elementos artísticos que adornam o espaço. Os retábulos, em particular o altar-mor, são enriquecidos com expressiva talha dourada, datada do século XVII e representativa do estilo nacional. As colunas salomónicas e a tribuna, que acolhia a imagem de Cristo crucificado, são pormenores que merecem uma observação atenta. O teto da capela-mor é coberto por 24 caixotões de madeira com pinturas hagiográficas, retratando monjas santas e outras figuras sacras, enquanto o pavimento da nave conserva lajes funerárias numeradas, silenciosos testemunhos de quem ali repousa.