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Património Arquitetónico
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Pelourinho de Sernancelhe
O Pelourinho de Sernancelhe, que está classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1933, já foi tema de uma coleção de selos e postais dos CTT. É de grande beleza e a sua localização torna-o uma espécie de farol da história de um espaço onde pontuam a Casa da Câmara, a casa da Comenda de Malta e a Igreja Românica.
Pertence à Direção Geral do Património Cultural uma brilhante descrição deste monumento que certifica a antiguidade e importância histórica de Sernancelhe: Situada entre as serras da Lapa e da Zebreira, e junto ao Rio Távora, nas denominadas Terras do Demo, numa zona de particular beleza natural, as origens de Sernancelhe perdem-se no tempo, como evidenciam os testemunhos arqueológicos identificados e recolhidos até agora, enquanto algumas lendas locais atribuem a sua peculiar denominação a episódios ocorridas na Reconquista, assim como às particularidades topográficas do morro onde se ergue o castelo.
Existindo já no século X, e possivelmente construída sobre as ruínas de um povoado fortificado de altura da Idade do Ferro - castro -, Sernancelhe obteve foral em 1124, durante o governo de D. Teresa (1092-1130), por iniciativa de dois ricos-homens, de seus nomes Egas Gosende e João Viegas, que incentivaram o seu repovoamento, num século em que se construíram outras estruturas marcantes do seu centro, a exemplo da igreja Matriz, de traçado românico. A localidade veria, entretanto, confirmado o primeiro foral nas regências de D. Afonso II (1185-1223), em 1220, e de D. Dinis (1261-1325), em 1295, para ser renovado com D. Manuel I (1469-1521), decorria o ano de 1514.
Embora corresponda a estes reinados parte expressiva dos inúmeros imóveis que Sernancelhe ainda ostenta, o símbolo maior da autonomia judicial - pelourinho - exibe uma data posterior: 1554.
Erigido no centro das actividades da povoação, fronteiro à residência da família Fraga de Azevedo que foi, há muito, utilizada para outras finalidades, designadamente camarárias e judiciárias, o pelourinho inscreve-se, do ponto vista arquitectónico e decorativo, no denominado estilo manuelino, resultando de uma reformulação conduzida no tempo de D. João III (1502-1557), assim como de uma pequena intervenção de restauro efectuada já na década de cinquenta de novecentos.
De "gaiola" estilizada e afeiçoado numa das matérias-primas mais abundantes na zona - granito -, o pelourinho, com mais de nove metros de altura, é constituído por plataforma de três degraus octogonais sobre a qual assenta base de um único degrau de igual configuração, como octogonal é o fuste (com seis metros de altura) que nele se eleva, e em cujo capitel, tronco-piramidal oitavado, foi gravado o sobredito ano. Quanto ao remate, ele é formado por oito colunelos cilíndricos e lavrados ligados à parte superior da "gaiola" sustentada por esteio interior, e sobre a qual se eleva pináculo composto de gola encimado por pomo no qual se crava grimpa de ferro com cruz.