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Património Arquitetónico
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Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição da Ribeira
O Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição da Ribeira, classificado como Monumento de Interesse Público desde 2012, situa-se na localidade de Mosteiro, pertencente à União de Freguesias de Sernancelhe e Sarzeda. Identificado por João Carvalho, da Direção-Geral do Património Cultural, como um antigo mosteiro de clarissas, conserva ainda a igreja de nave única e capela-mor, marcadas pela disposição horizontalista das massas. Os alçados apresentam grande sobriedade e a entrada lateral, seguindo a regra dos conventos femininos, constitui o principal testemunho da sua função original. No interior, destacam-se a decoração em talha dourada de estilo nacional, os tetos apainelados com representações de monjas santas e de outros santos, bem como o pavimento com lajes funerárias numeradas.
A planta do edifício é longitudinal, simples e regular, composta por nave única, capela-mor ligeiramente mais estreita e baixa e uma sacristia adossada. A cobertura é de três águas e o alçado norte apresenta uma porta de arco ligeiramente apontado, dois janelões retangulares de dimensões e alturas diferentes e remate em cornija. O corpo da capela-mor encontra-se adossado a construções do antigo convento. No alçado sul, abrem-se dois janelões retangulares, igualmente rematados em cornija.
O interior revela a sobriedade da arquitetura conventual, composto por nave, capela-mor e sacristia. Do lado do Evangelho, encontram-se uma porta, um púlpito com escada em pedra, um janelão retangular e um retábulo lateral em talha. Do lado da Epístola, ergue-se um altar lateral de talha, situado em posição fronteira ao anterior. O teto da nave é de vigamento de madeira a duas águas e o arco triunfal, em pleno centro, conserva vestígios de policromia. Na capela-mor, do lado do Evangelho, abre-se um janelão retangular, enquanto o oposto permanece cego. O retábulo em talha com tribuna domina o espaço, que dá acesso lateral à sacristia. O teto de madeira, com 24 caixotões pintados, apresenta representações hagiográficas.
A história do mosteiro remonta a 1460, quando foi fundado para a Ordem Terceira Franciscana masculina por iniciativa de Frei Pedro de Ameixoeira. Em 1520, por ação de D. Maria Pereira de Sernancelhe, primeira abadessa, passou a funcionar como convento de freiras da mesma obediência. No início do século XVIII, registam-se importantes referências: em 1703, a elaboração de um tombo iluminado por Manuel Leão e, em 1726, obras de renovação em cantaria. Com a extinção das ordens religiosas em 1834, o mosteiro foi formalmente extinto, mas as freiras puderam permanecer até ao fim das suas vidas.
Já no século XX, em 1995, foi aberto o processo de classificação do imóvel, e em 2002 a igreja foi encerrada ao culto pela Proteção Civil devido ao risco de derrocada das coberturas e retábulos. Em 2006, a Direção Regional do Porto propôs a sua classificação como Imóvel de Interesse Público, processo que viria a culminar, após parecer favorável do Conselho Nacional de Cultura em 2011, com a sua elevação a Monumento de Interesse Público em 2012, juntamente com a fixação de uma Zona Especial de Proteção.