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Caminhos de Santiago

No vasto itinerário do Caminho de Torres — que liga Salamanca a Santiago de Compostela — a passagem por Sernancelhe destaca-se não apenas pela beleza paisagística, mas pela profundidade histórica que liga esta vila, há séculos, ao culto Jacobeu. Entre soutos de castanheiros seculares e granito trabalhado pelo tempo, Sernancelhe oferece ao peregrino a oportunidade de contemplar aquela que é considerada a mais antiga representação escultórica de Santiago em Portugal.
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A Entrada: Ponte do Abade, uma verdadeira fronteira
A entrada no concelho faz-se através de um marco histórico e geográfico: a Ponte do Abade. Descrita como uma "verdadeira fronteira", esta ponte medieval sobre o Rio Távora separa não apenas concelhos (Aguiar da Beira de Sernancelhe), mas também distritos (Guarda de Viseu) e dioceses.
A estrutura, de perfil gótico com talha-mares triangulares, foi um ponto nevrálgico na rede viária regional. Historicamente, este local era vital para homens e cargas que cruzavam o rio, o que justificou a existência de uma célebre albergaria e a fama gastronómica do local, nomeadamente pelo bacalhau, azeite e pão. Embora a lenda atribua a sua construção a um enigmático "abade", é provável que a obra se deva aos monges do Mosteiro de São Pedro das Águias.
O Caminho:
O trajeto segue a meia encosta, entre o rio Távora e o Santuário de Nossa Senhora de ao Pé da Cruz. O peregrino atravessa aqui um "impressionante souto de castanheiros". Estas árvores centenárias, que "guardam e vigiam" o território, marcam a identidade de Sernancelhe. A etapa rural termina ao passar por uma passagem inferior sob a Estrada Nacional 229, que dá acesso à vila.
Sernancelhe: O Coração da Ordem de Malta e de Santiago
A Mais Antiga Representação de Santiago
A Ordem de Malta
O Castelo e o Museu
O Caminho Seguinte
Ao deixar a vila de Sernancelhe, o peregrino inicia uma nova fase da etapa que, embora se dirija ao concelho vizinho de Moimenta da Beira, continua a revelar pérolas do património de Sernancelhe. O percurso é marcado pela presença da água (Barragem de Vilar) e por antigas vilas com forte identidade histórica.
Vila da Ponte
O caminho alcança Vila da Ponte, uma localidade situada nas margens do grande lago formado pela Barragem de Vilar. O nome da terra evoca uma antiga ponte gótica de quatro arcos sobre o rio Távora, que foi destruída em 1965 para dar lugar à albufeira, mas cuja silhueta perdura no brasão da freguesia.
- Uma pintura de São Cristóvão, padroeiro dos viajantes, na capela de São Miguel Arcanjo (1602).
- A memória da 3.ª Invasão Francesa: no inverno de 1810-1811, a igreja serviu de armazém de guerra e as tropas napoleónicas estanciaram aqui durante semanas.
Saindo de Vila da Ponte, e antes de seguir pela EN226, vale a pena subir ao Santuário da Senhora das Necessidades. O local, conhecido como "Borralheira" (provável antiga atalaia), oferece uma vista deslumbrante sobre a barragem e tem uma aura de santidade antiga, ligada a eremitas que habitavam as covas do local.
O Santuário da Senhora da Lapa
À passagem por
- A Lenda: Nasceu em 1498, quando a pastora muda Joana encontrou uma imagem da Virgem numa gruta e recuperou a fala.
- História: O local cresceu com o apoio dos Jesuítas (Colégio da Lapa), onde estudou Aquilino Ribeiro.Para quem procura um aprofundamento espiritual ou apenas conhecer o local onde "Portugal nasceu" (segundo a tradição popular da fé beirã), este desvio é um complemento valioso à peregrinação antes de retomar o rumo a Moimenta da Beira.