Fálgaros da Tabosa
Conteúdo atualizado em1 de julho de 2025às 16:03
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“A tristeza (…) combate-se comendo bem, bebendo melhor, e não tendo inveja do próximo. Neste particular, pouco há que dizer quanto à Beira. Vinho, pêro e pão fazem contente o beirão”. Este retrato do homem da Beira pertence a Aquilino Ribeiro e foi retirado do livro “Arcas Encoiradas”, de 1953, e explica a forma simples e humilde como as gentes destas paragens encaravam o dia-a-dia, onde pão e vinho eram dieta de sustento para quem tinha na lavoura a garantia de uns trocados e, em muitos casos, a sobrevivência.
Mas nem sempre era assim. Por altura das festas populares, pela Páscoa e pelo Natal melhorava o repasto, recorrendo por vezes ao cabritinho ou ao anho. E a doçaria também dominava a mesa. No Convento de Nossa Senhora da Assunção, na Tabosa do Carregal, fundando em 1692 por D. Maria Pereira, nasceram os fálgaros, confecionados com farinha, ovos, queijo fresco e doseado com o segredo que já poucos habitantes locais guardam. Graças às monjas descalças que professavam as regras de S. Bento com devoção e piedade, cresceu não só a localidade mas também as tradições e as receitas. Receita que mais de quatro séculos depois passou a tradição e hoje os fálgaros são cozidos no forno comunitário da Tabosa do Carregal por praticamente todas as pessoas daquela localidade. É a tradição pascal, a garantir a sobrevivência de uma memória gastronómica que faz parte do triângulo de doces conventuais do Concelho de Sernancelhe.