LAPA E AQUILINO. DOIS SÍMBOLOS, DUAS REFERÊNCIAS NACIONAIS QUE SERNANCELHE HOMENAGEIA COM A FEIRA AQUILINIANA

LAPA E AQUILINO. DOIS SÍMBOLOS, DUAS REFERÊNCIAS NACIONAIS QUE SERNANCELHE HOMENAGEIA COM A FEIRA AQUILINIANA

O concelho de Sernancelhe é dono de dois símbolos da cultura e da história de Portugal: Aquilino Ribeiro e o Santuário de Nossa Senhora da Lapa. Aquilino é o mestre das letras portuguesas, uma das personalidades nacionais distinguidas com lugar no Panteão; a Lapa, Aldeia de Portugal, é detentora do Santuário mais antigo do nosso País, uma referência ibérica, um marco na evangelização mundial, despoletada pelos Descobrimentos. Ora, quando os elementos Aquilino Ribeiro e Lapa se juntam o resultado é a Feira Aquiliniana, uma viagem única, imperdível, que mergulha na obra literária de Aquilino, recupera rituais, tradições, trajes, atividades, modas e momentos e procura recriá-los de forma fiel. Foi isso que a Lapa mostrou nos dias 1 e 2 de junho, com o rigor histórico que se exige a um evento de época, merecendo a visita de milhares de pessoas, de vários pontos do País.

A Feira Aquiliniana é, pela sua singularidade, um evento temático que recria as Terras do Demo, mantendo o equilíbrio entre o sentido religioso e a questão profana do comércio, das tascas, dos comes e bebes. É uma iniciativa que tem como inspiração os livros do escritor natural da freguesia de Carregal, e basta ler, por exemplo, a obra “Terras do Demo”, recentemente reeditada pelos Municípios de Sernancelhe, Moimenta da Beira e Vila Nova de Paiva, em parceria com a Bertrand Editora, para se confirmar que, por estes dias, a Lapa regressa ao passado e, acima de tudo, presta homenagem a Aquilino, às gentes do planalto da Lapa, à identidade destas terras que o Mestre classificou como do Demo, mas que são plenas de fé e de alma.

O cenário em que decorre a Feira Aquiliniana é outro hino à cultura. Mais de cinco séculos de património, com a Igreja e o Colégio a encimarem toda a beleza desta lugar mítico, o certame ocupa todo o terreiro do Santuário, percorrendo a rua principal até ao Pelourinho, Casa da Câmara, emoldurando o casario tradicional daquela pequena comunidade pertencente à Freguesia de Quintela, Sernancelhe, enaltecendo a vertente religiosa sempre presente na Lapa, a fé e a lenda que comprovam os mais de 500 anos de história de uma localidade.

A Feira conta ainda com representações cénicas dos hábitos e costumes destas terras por grupos etnográficos e de teatro, animação de rua e dramatização de excertos das obras de Aquilino Ribeiro, atuações de ranchos folclóricos e grupos de concertinas e fado à desgarrada e uma mostra permanente de artesanato e de produtos regionais, sempre enquadrados no ambiente que recria a Lapa de finais do século XIX, início do século XX.