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A Lenda da
Pastorinha Joana |
Chamava-se Joana a
pastorinha muda, de doze anos, que, enquanto guardava um pequeno rebanho
de ovelhas, avistou, por entre as fendas de um penedo ou lapa, uma imagem
de Nossa Senhora. Diz a história que Joana aproximou-se da imagem e,
extasiada, permaneceu em oração por largo período de tempo.
A pastorinha reparou, então,
que as vestes da imagem se encontravam destruídas pela acção do tempo e
pela humidade e decidiu erguer, naquele local, um altarzinho. Limpou a
imagem, colocou flores em seu redor e não mais deixou de pensar no seu
“tesouro”. No dia seguinte, Joana levou a imagem para casa na cestinha
onde a mãe lhe enviava o farnel. A mãe, que não apreciava o facto de
Joana perder tempo a fazer vestidinhos para a “boneca”, atirou-a ao
lume.
Desesperada, Joana, muda
de nascença, gritou para a mãe: “Tá! Minha mãe! É Nossa Senhora da
Lapa! Ai! Que fez?”. Diz a lenda que a imagem não se queimou, mas nesse
preciso momento a mãe ficou com o braço paralisado. Arrependida do acto
que acabada de cometer rezou com Joana e tudo voltou à normalidade. O pároco,
conhecedor da história, pediu que a imagem fosse colocada na Igreja
Matriz, para não ficar naquele ermo, só que a imagem desaparecia de lá
e aparecia na gruta onde Joana a havia descoberto. Era lá que ela queria
ser venerada, dizem.
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O
SARDÃO DA LAPA
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Percorrendo o interior da Igreja
da Senhora da Lapa, deparamo-nos com um sardão
pendurado por duas argolas metálicas a uma trave de castanho que sustenta
o telhado. O “sardão da Lapa”, como era descrito aos mais novos, tem
uma história curiosa, a que muitos atribuem a mão de Nossa Senhora.
Diz-se que uma tecedeira vinda de Quintela para a Lapa se deparou,
subitamente, com um lagarto de grandes proporções. Sentindo necessidade
de se defender, começa a atirar-lhe novelos de linho, mas mantém os fios
na mão. Puxando-os em simultâneo, estrangula o animal, salvando-se, por
milagre da Senhora. |
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A História de
Forca
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O
que irritava as pessoas de Aldeia de Santo Estêvão, reconhecidas como
pacatas e acolhedoras, era o epíteto “Forca”.
A designação, que pressupunha espírito justiceiro destas gentes, surgiu
porque o último condenado à morte pela forca, em Portugal, de nome
Manuel Pires, foi aqui detido e manietado. O condenado foi julgado e
condenado no Tribunal de Caria (na altura sede de concelho a que Carregal
e as localidades anexas pertenciam), fez penitência na Igreja do
Convento, em Moimenta da Beira, e executado em Vila das Rua. |