PERSONAGENS CÉLEBRES

Padre João Rodrigues – nasceu em Sernancelhe em 1560 ou 1561. Com apenas 14 anos saiu de Portugal em direcção à Índia. Em 1580 chegou ao Japão por intermédio da Companhia de Jesus. Ao serviço da Companhia dedicou-se ao ensino da gramática e do latim. Alguns anos mais tarde concluía os estudos em Teologia em Nagasaki. Foi a Macau para ser ordenado sacerdote e, tendo regressado ao Japão, tornou-se intérprete, servindo como agente intermediário nas compras feitas às naus estrangeiras. Conhecido como comerciante, diplomata e político, Padre João Rodrigues acabaria expulso do Japão no ano de 1610. Regressado a Macau, iniciou uma série de investigações com vista ao conhecimento das origens das comunidades cristãs ali estabelecidas desde o século XIII. Considerado um clássico para o conhecimento do Japão, Pe. João Rodrigues foi o autor da primeira gramática da língua japonesa e escreveu a “História da Igreja no Japão”. Apontado como um vulto da cultura universal, faleceu em Macau em 1633.

 Vasco Moreira natural de Sernancelhe, ficou conhecido como o autor da primeira monografia sobre o Concelho. Editada em 1929 com o título “Terras da Beira – Sernancelhe e seu Alfoz”, é o livro que ainda hoje nos dá toda a informação histórica, geográfica, etnográfica e linguística sobre o concelho. Sensivelmente na mesma época, deu à estampa outra obra maior da sua carreira como orador, arqueólogo, historiador, literato e escritor: a “Monografia do Concelho de Tarouca”. Ao Abade deve-se também a organização do Museu de Lamego, do qual seria o primeiro director. O trabalho de Vasco Moreira revela-se notável, porque, mesmo sem recursos bibliográficos, conseguiu legar obras muito completas e importantes para a afirmação das respectivas comunidades. Faleceu em São João de Tarouca em 1932.

Aquilino Ribeiroconhecido como O Mestre, Aquilino Ribeiro é um dos maiores escritores portugueses do século XX. Nasceu na freguesia de Carregal, em 1885, e foi baptizado na igreja de Alhais, concelho de Vila Nova de Paiva. Estudou no Colégio da Senhora da Lapa, fez Filosofia em Viseu e frequentou Teologia no Seminário de Beja, curso de que desistiu no segundo ano. Inconformado por natureza, mudou-se para Lisboa, em 1907, onde intentou abrir carreira no jornalismo. As controversas actividades políticas levariam Aquilino Ribeiro à cadeia, de onde se evadiu. Exilado em Paris, frequentou os cursos de Filosofia e Sociologia da Sorbonne, onde recebeu ensinamentos dos melhores mestres da época. No campo literário estreou-se, em 1913, com a colectânea de contos “Jardim das Tormentas”. Da sua vasta obra, destacam-se “A Via Sinuosa”, “Terras do Demo”, “Volfrâmio”, “Aldeia”, “Cinco Reis de Gente” e “Malhadinhas”. Aquilino Ribeiro, O Mestre, faleceu em 1963, mas deixou ao país um retrato impecável de uma época e de uma região.  

 João Fraga de Azevedo natural de Sarzeda, Fraga de Azevedo licenciou-se em medicina pela Universidade de Coimbra. Seleccionado para médico da Armada Portuguesa tirou, entretanto, o curso na Escola de Medicina Tropical. Considerado um dos maiores cientistas da medicina tropical, representou o país em conferências e congressos internacionais. Publicou perto de quatro centenas de trabalhos científicos, individuais ou em colaboração, divulgados por todo o mundo da ciência. Mesmo à distância, Fraga de Azevedo não se esqueceu de Sernancelhe e terá usado os seus bons ofícios para a criação do Colégio do Infante Santo, na vila de Sernancelhe. Foi distinguido com altas condecorações em Portugal, África, Brasil, Alemanha, Espanha e Itália. Fraga de Azevedo faleceu em Lisboa em 1977 com 68 anos.

 Bernardo Xavier da Costa Coutinho Investigador, crítico de arte, tradutor, Bernardo Coutinho nasceu na freguesia de Ferreirim em 1909. Ordenado sacerdote, foi nomeado cónego da Sé Catedral do Porto. Licenciou-se em Ciências Históricas e em Letras Românicas e doutorou-se pela Universidade de Lovaina com a tese “As Lusíadas e os Lusíadas”. Professor no Seminário Maior do Porto, e na Universidade Católica, em Lisboa, foi também professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Provido no cargo de Conservador do Museu de Soares dos Reis, viu reconhecido o seu trabalho quando foi eleito sócio da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Portuguesa de História. Da sua obra destacam-se publicações como “Acção do Papado na Fundação e Independência de Portugal”, “Camões e as Artes Plásticas” e “A Medalhística Camoniana do Século XVIII aos nossos dias”. Bernardo Xavier Coutinho faleceu em 1987, deixando cerca de meia centena de obras de mérito.

    Doutor Pedro de Sovral, casado com D. Maria d`Almeida. Segui a Magistratura em todos os seus graus, atingindo as mais altas culminâncias. Foi Procurador da Coroa, Desembargador dos Agravos, Fidalgo da Casa Real, com o Grau de Cavaleiro da ordem de Cristo. era descendente de Fernan Pires de Sovral, alcaide-mór de Celorico da Beira, por mercê de D. Pedro I (1369); e, como tal, foi senhor do Morgado de Sernancelhe, por ele instituido, em 1586.

    Doutor Francisco de Sovral foi filho do Doutor Pedro de Sobral. Doutorou-se na Universidade, em 1615, tendo antes professado na Congregação dos cónegos regrantes de Santo Agostinho, em 1588. Foi deputado do Santo Ofício e bispo de S. Tomé e por fim de Angola, de cuja Sé tomou posse, em 1626. Foi um Prelado apostólico, notável pelas suas prégações e caridade, aquem muito devem a civilização e conversão dos indígenas. Durante  a ocupação da nossa posseção africana pelos Holandeses, refugiou-se em Massangano e aí morreu. Este bispo foi, na África,o que S. Franscisco Xavier foi, na Índia: apóstolo fiel, servidor devotado da igreja e da Pátria. Era irmão do Doutor Pedro de Sovral.

    Frei Roque de Sovral, doutorado em Coimbra e professor da Ordem de Cristo, em Tomar, em 1590, de que foi Geral. Deputado do Santo Ofício, chegou a examinador das três Ordens Militares. Escreveu a « Crónica da Ordem de Cristo » e a « Aparição de Nossa Senhora da Luz ». Faleceu, em avançada idade, depois de se revelar um pregador notável.

    Manuel de Almeida Vasconcelos do Sovral Carvalho da Maia Soares Albergaria foi o primeiro Barão de Mossâmedes e tronco dos Condes da Lapa, governador de Angola, comendador de Alcofra e conselheiros ultramarino.

    D. Frei Manuel de Almeida, professor da Ordem de S. João de Malta. Novo, ainda, chegou a Coronel do Regimento de Cavalaria de Almeida, capitão general e governador de Loanda e Angola, como haviam sido seus tios, também maltezes.

    Doutor António Caiado honrou a sua terra como religioso exemplar e insigne letrado. Foi professor da Ordem de Cister (Bernardos) e chegou a Abade de S. Pedro das Águias e Geral de Alcobaça, a mais alta dignidade monástica do País que lhe dava o senhorio de muitas Vilas e o encargo de Esmoler-mór. Vítima dos ódios de Pombal, caiu nos cárceres da Junqueira, donde o foi arrancar uma ordem de D. Maria I, a qual lhe fez muitas mercês pela sua erudição e em desagravo das injustiças do Marquês.

    Doutor José da Gama e Castro, médico da Real Câmara, a quem D. Miguel fez o 1º Visconde de sernancelhe, por serviços à sua Causa, aqui nasceu e se criou. Em 1834, a onda da política arremessou-o para o exílio, onde morreu. Peregrinou por Londres e Paris. Nesta última cidade, foi correspondente do "Jornal do Comércio", do Rio de Janeiroque lhe não regateou recursos para a sua sustentação, longe da Pátria, Os seus escritos foram sempre muito apreciados e o são ainda hoje pela falange do Integralismo Lusitano, principalmente os referentes à crítica e exame dos diferentes sistemas de governo. Não foi só uma honra de Sernancelhe; foi também, no estrangeiro, uma glória de Portugal. Muito erúdito, era um escritor elegante.

    António Ribeiro Saraiva, como seu pai José Ribeiro Saraiva e seus irmãos, é a encarnação do forte temperamento beirão e a última vergontea da fidalguia de Sernancelhe, crestada pelo sol do Constitucionalismo. Fiel amigo de D. Miguel e, durante muitos anos, seu logar-tenente, a legitimidade teve nele o seu mais leal e denotado paladino. À data da Convenção de Évora Monte, era Secretário da Legação Portuguesa em Londres. Implantado o constitucionlismo, por lá ficou, dirigindo a resistência e conspiração para derrubar o trono de D. Maria II. Frustaram-se-lhe, porém, os intentos. A corrente das ideias da Europa, e os erros dos Miguelistas favoreciam o sistema liberal.

    José Ribeiro Saraiva, seu pai, foi Juiz de fora, de Trancoso e Soure, Corregedor de Viseu, Juiz da Relação, Conselheiro da Fazenda, Desembargador dos Agravos, Juiz privativo da Inglaterra, Holanda e outras nações e, ultimamente, Secretário de Estado de D. Carlota Joaquina. Português e político, até à modula dos ossos, morreu de desgosto, em Lisboa, ao saber da entrada das tropas de Vila-Flôr, na Capital.

    Francisco de Assis Teixeira, filho de José R. Saraiva, também provedor de Viseu, até 1834, tem o nome ligado aos trágicos fusilamentos do Campo da Feira, pois fazia parte da Comissão Mista, que julgou os liberais presos. Emigrando para Londres, de lá para Paris, voltou a Sernancelhe, quando os liberais, em luta uns contra os outros, esqueceram os legitimistas. Cá morreu, tendo casado antes com uma sua prima de quem teve uma filha, que lhe perpectua o nome e a descendência.

    D. Maria Henriqueta Ribeiro Saraiva, irmã de António Ribeiro Saraiva e Assis Saraiva, foi a providência que velou, de longe. por seus irmãos, no exílio. instruída e inérgica, exerceu influência poderosa, na fidalguia de Sernancelhe e da Beira. Morreu de avançada idade e os Sernancelhenses choram-na, não como a uma fidalga, mas como a uma Rainha.

    Sebastião José de Carvalho e Melo, o célebre Marquês de Pombal. Não nasceu em Sernancelhe, como aqui se afirma, mas aqui passou os tempos de rapaz, e de cá foram oriundos os seus mais próximos ascendentes. Por isso, e para quebrar a lenda que dá como nascido em Sernancelhe.

 

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