O Granito
Pedra de Sernancelhe

Tal como se fica espantado a ver crescer um pinheiro em cimo de uma fraga, também surpreende, como neste concelho, que foi áspero a culturas e artes, uma geração de escultores possa crescer e deixar pegadas.
Das antas agro-pastoris às construções castrejas, dos intemporais casebres rematados a colmo ou telha - palacetes e templos da escorreita silharia, em todos pontua sempre o fiel granito. Pedreiros executavam certeiras fracturas ao correr da laje, canteiros aparelhavam pedras de alvenaria e içavam-nas ao ritmo lento das canções. Muros e diques, torsas e soleiras, pórticos e estátuas, pesos , medidas, sepulturas, brasões.... tudo se materializou no granito.
Por artes de pedra ao serviço da comunidade, herdámos uma cultura. Hoje , uma nova geração de intérpretes da pedra tem vindo a pôr-se em bicos de pés. Zé Moreira, Aníbal Ferreira, Francisco Lucena , Pedro Lacerda, José Laginhas, Germano Frias, José Manuel Justino e António José Cardoso.
Zé Moreira, Meão de estatura média , riso de lés a lés num olhar gaiato, palavra solta e contundente. Natural da Sarzeda, partiu jovem à aventura. Em vez das águas torrenciais do leito, sentiu o chamamento das margens . Chamava as coisas pelos nomes, era incómodo às vezes, pois apesar de ser arguto na detecção do jogo social, provocatoriamente o desafiava. " Eu sei que não sou do social" - dizia e, como se sentisse portador de uma missão acrescentava: " É preciso partir pedra !"
Cursa Belas Artes (ESBAL), viaja e estagia no estrangeiro. Cruzou com a vida em múltiplos recantos , sempre em busca de luz. Sentiu as cheias e as secas. A elevada capacidade de realização artística e uma atracção quase fatal pelo granito, tornaram-no conhecido no país. Pelo meio há arritmias e a luta pela criação de condições de trabalho... Enfim, como dizia "...não há regras nenhumas ; há existência e a existência cada um sente-a".
Cedo se partiu, mas não sem antes ter deixado a chama acesa em vários conterrâneos que o Zé soube estimar. Dele pode dizer-se que foi o pioneiro e a referência dos escultores de Sernancelhe. Morreu, em plena juventude, em 5 de Dezembro de 1992.
Francisco Lucena, Natural de Olsberg, na Alemanha, filho de pais emigrantes do concelho de Sernancelhe. Em 1985 começou a trabalhar com madeira e grafite. Conhece o escultor Zé Moreira que o incentiva a trabalhar o granito, o que o motiva a outros percursos em termos de criatividade.
O Chico Lucena, escultor de Penso, dos nossos dias, também ele viu no granito um material perfeito para exprimir a sua maneira de estar no mundo. Apesar da dureza desta rocha, tem gravado e continua a gravar mensagens importantes, contribuindo para a divulgação e promoção do Concelho de Sernancelhe.
Realizou inúmeras exposições individuais e colectivas, estando representado na Câmara Municipal de Sernancelhe e nas galerias A Grade, DITEC, Santa Justa, Desigual, IPJ, ExpoDouro, Café Galeria Ameias, Cervejaria Trindade - Galeria de Arte, etc. Obras suas integram vastas colecções de particulares e de organismos oficiais, no nosso país e estrangeiro, com destaque para os museus de S.to António e do Vaticano.
Contactos: Telm. 967171590
Telf. 254595753
Site: xicolucena.com.sapo.pt
Pedro Lacerda, Natural do concelho de Sernancelhe, frequentou o curso de desenho da Escola Superior Artística do Porto e o Curso de "Design" e Tecnologia para a Cerâmica em Caldas da Rainha.
Participou em várias exposições Individuais e colectivas : Galeria Espace Penta (Genéve), Galeria 22(Viseu), Casa dos Guedes (Moimenta da Beira), espaços da Câmara Municipal de Penedono e São João da Pesqueira, Mirita Casimiro, Casino da Figueira da Foz.
Actualmente é funcionário bancário e
dedica-se em par time à produção artística . A par da escultura , Pedro Lacerda faz
também incursões no desenho e pintura a óleo. A escultura em granito, todavia, é o
referencial do seu trabalho artístico explorando combinatória da Pedra com o ferro e
outros materiais.
Contactos: Telm. 964021208
Telf. 25448442 - serviço
Aníbal Ferreira, Natural de Sernancelhe onde fez os primeiros estudos, começou a trabalhar com o Zé Moreira que o inicia nas primeiras orientações. Aníbal Ferreira acabou por fixar a residência em Vila Viçosa. "Vila Viçosa tem muitos valores e referência que oferece as condições para poder executar as minhas obras: materiais, equipamento, maquinaria . É um local confortável e muito calmo que me permite passar horas a esculpir e a concretizar as minhas ideias".
Soube o sol alentejano, na pacatez de um monte, tem o seu espaço, onde trabalha obras de grande volumetria em mármore e em granito. " Para mim o granito é um material que exige maturidade para o poder trabalhar. Hoje sinto a maturidade para o esculpir e não somente para o gravar. Tenho vontade de elaborar o projecto, de partir do bloco para a obra e não procurar pequenos fragmentos na natureza que já por si têm vida e me dão uma informação e um percurso".
Tem participado em simpósios e realizado inúmeras exposições em Portugal e no estrangeiro, e , logo no início dos concursos, vence o prémio de Torres Novas em 1989.
Contactos: Telm. 914211327
Telf. 268999216
José Maria Laginhas, Natural de Ponte do Abade,nascido a 11 de Julho de 1969. Aos 17 começou a fazer trabalhos em madeira e foi mantendo uma indestrutível ligação a este material. Está a fazer as primeiras experiências com pedra. É um autodidacta, tem participado em exposições colectivas e tem mantido uma presença nas últimas edições da ExpoDouro.
Contactos: Telm. 968506508
Germano Santos Frias (Santinho)
Nasce a 20 de Outubro de 1978, é natural de Cunha concelho de Sernancelhe.
Desde 1998 participa em inúmeras exposições individuais e colectivas, concursos e Simpósios Internacionais de Escultura em Portugal, Espanha e França, onde se instala a partir de 2003.
Encontro de Artes Plásticas A.C.D.J., I Simpósio de Sernancelhe, I Simpósio de Escultura Belmonte, Associação Comercial e Industrial de Coimbra, Galeria S.M.C., Cascais, II Simpósio de Sernancelhe, Centro Cultural do Reboleiro, Portugal, I Encontro Internacional de Escultura de Saint-Maur, França, III Simpósio de Sernancelhe, Instituto Politécnico de Viseu, I prémio de escultura do II Concurso Nacional de Artes Plásticas de Penedono, Colectiva de Escultura e Pintura, Instituto Politécnico da Guarda, Escultura em Granito na Mairie de Saint-Maur, França, V Simpósio Internacional de Escultura na Creuse, França, IX Simpósio Internacional da Normandia, França, Bienal Internacional de Escultura de Ouistreham, França, Centro Municipal de Artes de Sernancelhe, I Encontro Internacional de Escultura, Limousin, França, I Simpósio Internacional de Escultura de La Oliva, Fuerteventura, Canárias, Espanha, X Symposium Internacional em Normandia, França.
Está representado em vários espaços e Instituições Públicas, como também em colecções particulares em Portugal e Estrangeiro.
Contacto:
6 Route de Brax
47520 Le Passage
França
Tl – 0033 09 51 10 19 48
Tlm – 0033 06 27 67 83 42
Email - gsantinho@hotmail.com
António José Cardoso, Nascido em 1980 na freguesia de Arnas, concelho de Sernancelhe.
Agosto de 2001 1.ª Exposição Individual na sede de Junta de Arnas
Setembro de 2001 2.ª Exposição no Auditório Municipal de Sernancelhe
Novembro de 2001 3.ª Exposição no Politécnico de Viseu
Agosto de 2002 4.ª Exposição , em conjunto com outros artistas, organizada pela Associação os "Janetos" da Cunha
Contactos: Telm. 962989775
José Manuel Justino,Nascido em 31 de Março de 1975 na freguesia de Sernancelhe.
Começou por trabalhar em madeira.
Mais tarde quando abandonou a escola, começou a trabalhar na Incoveca, onde começou a trabalhar em granito, e nunca mais parou.
Obras realizadas:
Contactos: Telm. 962358591