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Sernancelhe, terra de mosteiros

patrimonioConhecido como Terra de Mosteiros, por ter no seu território exemplares valiosos como os conventos de Mosteiro da Ribeira, Nossa Senhora do Carmo e Nossa Senhora da Assunção, Sernancelhe é um concelho que granjeou estatuto muito antes da fundação da nacionalidade portuguesa, pois já em 1124 tinha foral.

Percorrendo os respeitáveis 220 quilómetros quadrados de área e as suas 17 freguesias, ficamos com real noção da evolução fantástica da história deste Concelho. Mais: só nesse momento perceberemos como foi a adaptação das gentes ao meio, a vontade em deixarem marcas, e em tornarem distintos lugares que nasceram do nada.

Tendo sempre como ponto de partida a paisagem, que harmoniosamente combina serras imponentes e baixios férteis e plenos de água, saltam à vista os sóbrios aglomerados de casinhas de traça rural, onde a par da casa de granito no primeiro piso, o rés-do-chão servia de albergue de animais. O cortelho tinha a função de cevar os porcos… o palhal armazenava o alimento dos animais… e cá fora, na quintã, pousavam as rudimentares “alfaias” para amanho da terra.

A forte ligação do concelho à agricultura, durante séculos, deixou muitas e profundas marcas. O povo dedicava-se a esta actividade como forma de sobreviver. Muitos trabalhavam para os senhorios, donos de muitas das casas que hoje sobressaem justamente por entre o casario rural. Por vezes com brasão, muitas vezes com uma dimensão muito superior àquilo que era o padrão, legaram-nos bonitos exemplares de uma arquitectura requintada e muito digna.

O mesmo se passou com o clero, que, ao longo de séculos, dotou as aldeias do nosso concelho de bonitos templos de oração e fé. Mais do que locais de culto, as igrejas são espelhos do tempo. Por isso umas são mais simples, outras mais vistosas. Por norma, quanto maior e mais distinta fosse a comunidade, mais imponente seria a igreja. Com efeito, há lindos templos em praticamente todas as aldeias, alguns servindo de cartão de visita a quem chega.

Nos montes sobranceiros às aldeias, o povo ergueu capelas singelas, rodeadas de árvores e água fresca, e que se tornaram motivo de romagem e procissão forte pelo menos uma vez ao ano. Não faltam alminhas, capelinhas, capelas particulares, vias-sacras, nichos e muitos motivos religiosos espalhados pelas nossas aldeias. Com mais de cinco séculos, o Santuário da Lapa é porta-estandarte do Concelho e um dos exemplos maiores da riqueza e imponência do nosso património religioso.

Devido ao facto de o Concelho ter conhecido, ao longo dos séculos, várias situações administrativas, surgiram casas da câmara, pelourinhos e outros marcos da preponderância de tempos antigos, em Vila da Ponte, Lapa, Fonte Arcada e Sernancelhe.

Tempos idos que se foram apagando com as gerações que foram desaparecendo. Para trás, e para nossa admiração, ficaram marcas indeléveis da capacidade dos nossos antepassados, que temos a obrigação de respeitar e preservar.

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Sernancelhe, terra de mosteiros

                    

Conhecido como Terra de Mosteiros, por ter no seu território exemplares valiosos como o Convento de Mosteiro da Ribeira, Nossa Senhora do Carmo e Nossa Senhora da Assunção, Sernancelhe é um concelho que granjeou estatuto muito antes da fundação da nacionalidade portuguesa, pois já em 1124 tinha foral.

Apenas percorrendo os respeitáveis 220 quilómetros quadrados de área e as suas 17 freguesias, ficamos com real noção da evolução fantástica da nossa história. Mais: só nesse momento perceberemos como foi a adaptação das gentes ao meio, a vontade em deixarem marcas e em tornarem distintos lugares que nasceram do nada.

Tendo sempre como ponto de partida a paisagem, que harmoniosamente combina serras imponentes e baixios férteis e plenos de água, saltam à vista os sóbrios aglomerados de casinhas de traça rural, onde a par da casa de granito no primeiro piso, o rés-do-chão foi albergue de animais. O cortelho servia para cevar os porcos… o palhal para armazenar o alimento dos animais… e cá fora, na quintã, ainda restam algumas “alfaias” para amanhar a terra.

A forte ligação do concelho à agricultura, durante séculos, deixou marcas. O povo dedicava-se a esta actividade como forma de sobreviver. Muitos trabalhavam para os senhorios, dons de muitas das casas que hoje sobressaem justamente por entre esse casario rural. Por vezes com brasão, muitas vezes com uma dimensão muito superior àquilo que era o padrão, legaram-nos bonitos exemplares de uma arquitectura valiosa.

O mesmo se passou com o clero, que, ao longo de séculos, dotou as aldeias do nosso concelho de bonitos templos de oração e fé. Mais do que locais de culto, as igrejas reflectem os tempos. Por isso umas são mais simples, outras mais pobres. Por norma, quanto maior e mais distinta fosse a comunidade, mais imponente seria a igreja.

Nos montes sobranceiros às aldeias, o povo ergueu capelas singelas, rodeadas de árvores e água fresca, e que se tornaram motivo de romagem e procissão forte pelo menos uma vez ao ano. Não faltam alminhas, capelinhas, capelas particulares, vias-sacras, nichos e muitos motivos religiosos espalhados pelas nossas aldeias. Com mais de cinco séculos, o Santuário da Lapa é porta-estandarte do Concelho e um dos exemplos maiores da riqueza e imponência do nosso património religioso.

Devido ao facto de o Concelho ter conhecido várias situações administrativas, surgiram casas da câmara, pelourinhos e outros marcos da preponderância de tempos antigos, em Vila da Ponte, Lapa, Fonte Arcada e Sernancelhe.

Tempos idos que se foram apagando com as gerações que foram desaparecendo. Para trás, e para nossa admiração, ficaram marcas indeléveis da capacidade dos nossos antepassados, que temos a obrigação de respeitar e preservar.