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As raízes históricas

O Concelho de Sernancelhe tem um horizonte cronológico que pode abranger cerca de cinco mil anos. Um horizonte que permite muitas e enriquecedoras viagens pela história deste povo; história indelevelmente marcada pela agricultura e pela predominância do sector primário, garantia  de sustento a praticamente todos os nativos. Graças ao seu solo fecundo, Sernancelhe conheceu prosperidade e riqueza. 

"É uma zona de terra fértil e aprazível, pela natureza do seu solo, pelos acidentes e belezas naturais, tipica de tradições, e extremamente saudável pelas suas condições climatéricas, e pela altitude, que, nos lugares mais elevados, sobe a 800 metros", relata Abade Vasco Moreira, autor da primeira Monografia do Concelho, que diz ainda: "Foi muito bem administrado nos tempos passados, quando gozou autonomia real, e sem mistificação. Dessa administração falam, eloquentemente, a tradição e os seus monumentos - obra colossal do passado - que ainda hoje, séculos volvidos, lhe doiram o nome com reflexos da mais pura glória".

Sernancelhe foi território escolhido por várias civilizações, que por cá deixaram marcas da sua presença e permanência. Os registos existentes permitem-nos saber que o nosso Concelho foi habitado desde a pré-história. A romanização também deixou muitos vestígios, assim como a época medieval e a idade moderna.  

Concelho fundado antes da nacionalidade portuguesa, conhece a primeira descrição no ano de 960, através de um testamento em que D. Flâmula manda vender os seus castelos de Riba Douro e Sernancelhe. Em finais do século X, o castelo de Sernancelhe é tomado por Almansor e reconquistado pelos cristãos quando em 1055 o rei Leonês Fernando I expulsa os mouros da região. A 26 de Outubro de 1124 é atribuído o primeiro foralhistoria_2 a Sernancelhe, que viria a ser confirmado por D. Afonso II no ano de 1220. Em 1514 D. Manuel deu novo foral ao concelho, sem que tenha introduzido alterações importantes.

No entanto, Sernancelhe conheceu ao longo da sua história várias alterações administrativas que modificaram por completo a organização do município. Fonte Arcada, Lapa, Vila da Ponte e Sernancelhe chegaram a ser vilas, tiveram juiz, tabelião, escrivão, almotacés e sargento-mor de ordenanças. A Fonte Arcada D. Sancha Vermuiz concedeu foral em 1193. Nas inquirições de D. Dinis, o julgado de Fonte Arcada possuía seis aldeias. No ano de 1855 o concelho é extinto e as suas terras são incorporadas no de Sernancelhe.

historia_4Em 18 de Junho de 1740, e por portaria emitida de Queluz, D. João V elevou a Lapa à categoria de Vila. O foral viria a ser dado a 26 de Maio de 1781 por D. Maria I. O concelho da Lapa durou pouco mais de um século, tendo sido extinto também em 1885.

A Vila da Ponte foi reconhecida como Vila no ano de 1661 por D. Afonso VI. Elevando-a a cabeça de condado, doa-a a Francisco de Melo Torres e nomeia-o Conde da Ponte. O Conde dá autonomia municipal a Vila da Ponte e manda colocar as suas armas na casa da cadeia e erguer o pelourinho na Praça. No ano de 1855 a vila é extinta e incorporada no concelho de Sernancelhe.

Em 1896 Sernancelhe, já formado como concelho, perde as freguesias de Caria e da Rua e chega mesmo a perder, por dois meses, a sua autonomia como concelho. Seria, no entanto, o ano em que Sernancelhe viria a formar-se tal como hoje o conhecemos, com dezassete freguesias e cerca de 220 quilómetros quadrados.

 

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