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Escurquela

f_escurquelaAssente no retábulo paisagístico que assinala a transição formal da Beira para o Douro, Escurquela situa-se num pico de onde se “divisa um extenso panorama, limitado ao poente pelas linhas indecisas e vagas do Marão, ao sul pelo vulto da Serra da Estrela, esfumada sempre pela distância como se a envolvesse perpetuamente densa neblina” (Abade Vasco Moreira, 1929).

É realmente impressionante a paisagem a partir deste ponto. Graças ao seu posicionamento, a aldeia serviu de esculca (vigia) ao Castelo de Sernancelhe, enviando sinais nocturnos (facho a arder) sempre que o inimigo se aproximava. A importância histórica de Escurquela ficou comprovada quando, há alguns anos, ali foi descoberto um precioso machado neolítico. Uma ida ao Outeiro de Santiago é obrigatória. Diz a lenda que naquele rochedo saltava Santiago, com o seu cavalo, para acudir aos cristãos nas lutas com os mouros. As marcas das ferraduras do seu cavalo terão ficado marcadas na rocha. Só pela paisagem vale a pena subir ao monte, onde existe a Capela de S. Tiago, igualmente repleta de tradições.

Descendo até à povoação, entramos na Igreja Matriz de S. Domingos e apreciamos o tecto pintado no século XVIII. No adro encontra-se ainda a Casa dos Tenentes, a setecentista fonte de mergulho e um solar provinciano com um bonito brasão e capela. Igualmente bonito é o Cruzeiro de Templete com a imagem do Nosso Senhor dos Aflitos (sec.XVIII), erguido ao lado do adro. Escurquela, a freguesia mais distante da sede do concelho, é uma caixinha de surpresas. A paisagem, que reconforta de qualquer ponto de observação, acompanha-nos até Fonte Arcada, por entre vinhas e pomares, aproveitando os socalcos que a inclinação da encosta originou.